Pensar em melhores alternativas para aprimorar o rendimento e a qualidade de vida dos animais a partir da alimentação é essencial. Por isso, é preciso considerar os ingredientes para nutrição pet sem excessos e sem faltas, garantindo uma alimentação equilibrada e palatável.

Ao seguir tendências, é importante atentar-se a ingredientes que não atendem mais a realidade atual da indústria de pet e também para as possíveis respostas que o formulador pode trazer.

Vamos conhecê-las?

Produtos que não atendem mais às necessidades nutricionais

Uma alimentação essencial para pets deve priorizar, de acordo com a Revista Brasileira de Zootecnia, por ingredientes oriundos de carnes, especialmente de frango e coprodutos de origem comprovada.

Também é necessário conter insumos que não coloquem em risco a saúde e a qualidade de vida dos animais, como vegetais, frutas, legumes e verduras.

Somente assim terá a garantia de estar produzindo um alimento altamente funcional, com excelente valor nutricional e que fornecerá um percentual adequado de aminoácidos essenciais como Leucina, Lisina, Metionina e Taurina.

Vejamos abaixo alguns exemplos de alimentos que são muito utilizados em formulações, mas que possuem algumas deficiências nutricionais ou podem ser substituídos por ingredientes de mais alto valor agregado e mais seguros.

• Milho

O milho é muito utilizado em formulação de ração animal concentrada. Porém, isso não acontece pelos seus benefícios nutricionais, mas pelo menor custo de produção, tanto que é considerado um preenchedor.

Isso quer dizer que ele serve para dar volume por um preço menor que outros componentes mais nutritivos e naturalmente mais caros.

O milho é um grão com cerca de 60% de amido em sua composição, os outros 40% se diluem entre glúten, casca, água e gérmen de milho.

A proporção de carboidratos é alta, o que demonstra que outras necessidades nutricionais (como a de ingerir proteínas) não são supridas quando os alimentos possuem uma alta concentração de milho em sua composição.

Existem variações do uso do milho que potencializam as proteínas de sua composição, uma delas é o uso do farelo de gérmen de milho, contudo, mesmo com essa mudança na manipulação, a concentração proteica é tímida.

Vale ressaltar também que o alto teor de amido é prejudicial para pets com algum tipo de alergia ao milho.

• Trigo

Apesar de ser um cereal com alta concentração de fibras, não é indicado como ingrediente na formulação de alimentos para nutrição animal específica para pets, pois, assim como os humanos, alguns animais possuem tendência a desenvolver alergias e intolerância ao glúten.

Os cães são uma das espécies mais afetadas pelo glúten, sendo que há estudos que apontam o desenvolvimento de doença celíaca.

O glúten presente no trigo é o principal responsável por essas alergias que acarretam em feridas, perda de pelos, inflamação da pele, coceira, e outros tipos de doenças que causam grande desconforto aos pets.

• Farelo de trigo

O farelo de trigo nada mais é do que um coproduto de alimentos para humanos. O farelo também apresenta glúten e pode potencializar os efeitos da doença celíaca.

Apesar de ser um subproduto, o farelo de trigo é considerado como um alimento que apresenta uma boa quantidade de fibras e de proteínas, ao mesmo tempo que oferece energia.

Seu grande problema é baixa vida útil (principalmente quando estocado em grande quantidade) e a sensibilidade à umidade. Ou seja, ele é um problema em termos de mercado e logística, e exige muito controle e manejo do insumo, para que não seja descartado.

O farelo de trigo deve ser pensado da mesma forma como o milho, ou seja, um alimento de baixo potencial nutritivo, mas que possui uma grande quantidade de carboidrato, o que faz dele um bom substituto para o próprio milho. Contudo, essa substituição não resolve parte dos problemas nutricionais dos alimentos.

• Soja

Apesar de ser uma fonte de proteína e calorias, ela ainda é fruto de muito debate no meio veterinário. Alguns estudos apontam que a soja é causadora de alguns problemas de saúde nos animais, dentre eles disfunções da tireóide, problemas de crescimento, fígado e reprodutivos.

• Carnes sem especificação de origem

Saber a origem do alimento que o animal de estimação consome é uma necessidade de donos de cães e gatos.

Assim como acontece conosco, a ingestão de alimentos de origem duvidosa pode desencadear problemas intestinais e estomacais. Carnes demandam um alto controle sanitário, seja para consumo humano ou para confecção de alimentos para os pets.

Quando não há uma rastreabilidade da proteína animal, torna-se grande o risco de contaminação. Além disso, todo o histórico de vida do animal abatido faz diferença na qualidade da carne, ainda mais quando o assunto são as vacinações e controles de doenças.

• Casca de aveia

A casca de aveia também é utilizada como preenchimento para ampliar o volume dos alimentos, mas também sofre com o baixo valor nutricional. Quem deseja desenvolver um alimento premium deve atentar-se a esse detalhe.

A lista de insumos preenchedores em formulação de rações pet é muito extensa. Ela pode incluir, além dos já citados, casca e caroço de algodão, amido de milho modificado, casquinha de soja, farelo de arroz, proteína de arroz, solúveis da fermentação de grãos e outros.

Tendências de formuladores para pets

Já não é de hoje que a indústria de alimentos procura acompanhar as demandas do mercado para trazer a mesa das pessoas o que há de mais moderno e saudável na produção alimentícia.

No caso, essa mesma lógica aplica-se aos animais.

Os formuladores e responsáveis pelo desenvolvimento de alimentos para animais estão sempre em busca das tendências trazidas por meio de muita pesquisa e desenvolvimento.

Aqui também entra um ponto bem importante: o conhecimento. A internet  democratizou o conhecimento sobre os mais diversos temas, inclusive sobre a forma como são elaborados os alimentos fornecidos aos animais. Essa consciência impactou a nutrição animal de duas formas:

1. Os consumidores passaram a exigir alimentos mais saudáveis e nutricionalmente elaborados para seus animais de estimação;
2. As pessoas começaram a se preocupar com a alimentação de animais de abate.

Conforme o conhecimento público sobre nutrição animal se expandiu, cresceu a necessidade da indústria de produzir alimentos alinhados com as expectativas de um consumidor mais informado. Hoje, o cliente entende a origem da comida dada aos animais e tem material para conhecer mais sobre os gaps que a indústria apresenta.

Uma pesquisa encomendada pela Package Facts analisou os comportamentos de consumo de millennials que possuem um pet (consumidores de 18 a 34 anos) nos EUA. Os dados revelam fatos bastante intrigantes:

• 69% são mais propensos a considerar alimentos mais naturais;
• 75% acreditam que a contaminação de alimentos e a segurança dos produtos é uma  consideração importante ao comprar rações;
• Millennials estão em busca de produtos que transmitam exatamente o que contêm. Ou seja, ser transparente ao descrever os ingredientes que foram utilizados na formulação é uma ação estratégica bastante interessante, principalmente dada à alta procura por orgânicos e não-transgênicos.

Segundo na linha de rações mais adequadas aos novos comportamentos do consumidor, uma forte tendência do mercado de alimentação animal é a formulação de rações premium e super premium.

Ou seja, alimentos que possuem ingredientes de alta qualidade e grande carga nutricional, ao mesmo tempo que são menos processados. Sua formulação visa contemplar diferentes aspectos da saúde animal, contribuindo para que tenham uma vida mais saudável.

A utilização de insumos orgânicos na formulação também é uma prática que se intensifica gradualmente nos últimos anos, principalmente entre os millennials, como citado anteriormente.

O objetivo é fornecer aos animais produtos que sejam mais naturais, sem intervenções químicas no seu crescimento e no controle das pragas. No entanto, além de uma formulação adequada à exigência do mercado, os consumidores procuram informações claras e precisas sobre a qualidade e a eficácia dos formuladores.

Vamos falar um pouco mais dessas novas tendências e entender porque elas são importantes para formuladores pets.

Ingredientes Funcionais

Um leque de opções poderá se abrir para o entendimento do que é um ingrediente funcional, mas é necessária alguma cautela para não colocar tudo numa bandeja e apenas mudar a nomenclatura.

A inclusão desses ingredientes traz benefícios à saúde do animal, pois, além de serem funcionais, fornecem nutrientes essenciais, como água, vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas e gorduras.

Podemos citar:

• Óleo de Cártamo

Esse ingrediente possui vários benefícios e uma ampla oferta para alimentação humana.

O FDA, agência governamental americana que lida com o controle das indústrias alimentícias, de medicamentos e cosméticos nos EUA, aprovou a utilização desse ingrediente para nutrição pet, sob a alegação de ser um alimento funcional.

O principal motivo para essa liberação é a capacidade do óleo de cártamo auxiliar na perda de peso, controle de doenças da pele, aumento da mobilidade e tratamento de distúrbios do sistema imunológico.

• Milho roxo, Suntava, Mirtilo, Açaí e romã

Citamos acima o milho como apenas um preenchedor nos formuladores de alimentos para animais, mas é importante considerar o milho roxo pelos seus benefícios comprovados aos animais.

Esses ingredientes não são tão novos na alimentação pet, mas continuam sendo tendência de ingredientes para nutrição animal, pois são compostos de alto teor de antioxidantes e polifenóis, geralmente orgânicos e com grãos integrais.

Direcionado para a alimentação de animais de estimação, esses ingredientes ajudam na saúde das articulações, saúde digestiva, controle do açúcar no sangue e, principalmente o controle do peso, o que já é um benefício para os membros inferiores que não ficarão sobrecarregados.

• Dieta baseada em carne

Pela concentração elevada de proteína, minerais, cálcio e fósforo, a dieta baseada em carne é uma das preferidas por donos de pets. Contudo, é preciso cuidado para não exceder a recomendação diária de cálcio, fósforo, magnésio e outros minerais.

O abuso na ingestão desses componentes traz sérios problemas. O excesso de cálcio compromete os rins e pode até mesmo enfraquecer os ossos. O fósforo em altas doses gera a hiperfosfatemia, e, no caso do magnésio, a ingestão excessiva causa pressão baixa e fraqueza.

As farinhas de torresmo ou de vísceras de aves, por exemplo, são uma boa alternativa. Por serem elaborados através de processos de cocção, esses ingredientes são 100% naturais, garantindo uma matéria-prima altamente proteica, fresca e de qualidade.

O que o formulador pode trazer como resposta às tendências do mercado

A nutrição para pets exige complementação. A diferença reside na oferta de alimentos da dieta dos animais, que é bem menor do que a humana.  Cães e gatos podem ter sua nutrição toda baseada em um único alimento, a ração.

É exatamente diante da necessidade de regular a nutrição dos animais que surge a demanda por um produto saudável, sem componentes nocivos e que não deixa lacunas na nutrição diária.

Quando a comida ofertada aos pets não é completa, corre-se o risco da deficiência nutritiva e baixa qualidade de vida do animal.

De acordo com pesquisas nutricionais e veterinárias, a alimentação dos animais, em especial dos cães, demanda até 50% de carboidratos, 2,5% a 4,5% de fibras, 5% de gorduras e 10% de proteína.

Esses são os valores mínimos. Ou seja, é possível formular alimentos mais “segmentados” que atendem uma ou outra necessidade nutricional de forma mais dedicada.

Existe a demanda de analisar aspectos imprescindíveis, como a necessidade nutricional e características específicas de cada espécie. Junto a isso, existe todo o trabalho de pesquisa, desenvolvimento e acompanhamento de tendências de mercado e exigências de consumo.

Outro ponto importante é ser uma referência nutricional para as pessoas, já que estudos apontam que apenas 10% dos donos de cães sabem o que seu amigo necessita. Enquanto 80% afirmaram crer que as demandas nutricionais de humanos e cachorros são basicamente as mesmas

De acordo com a Food Processing, a alimentação animal já está seguindo algumas tendências da alimentação humana. Os formuladores estão desenvolvendo alimentos capazes de ajudar os animais a superarem limitações físicas, desde artrite até outros sinais da idade.

Os ingredientes para nutrição pet devem ser pensados a partir de tendências funcionais e equilíbrio nutritivo, além é claro, de se importar e informar a origem do alimento.

Fonte: BRF Ingredientes

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